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Crônicas
O Moozzy foi o primeiro e único festival digital de música do Brasil. Uma das iniciativas para fazer o festival ganhar notoriedade e autoridade foi a criação de crônicas sobre o universo da música, postadas no site do projeto.
Algumas delas estão aqui.

Assim como o Fusca, os anos 70 nunca terminaram. Pelo menos na música. Quase todas as novas (novas?) bandas de pop se inspiraram nas músicas dos anos 70. Olha o Supergrass. Olha o MGMT. E o Gotye então, com seus acordes saudosistas de nobreza, lembrando muito Charles Bradley, mas sempre de forma natural e 100% instrumental. Nem mesmo a música eletrônica, esta movida à pilha, resistiu tanto a modernidades quanto os anos 70, com toda sua diversidade de ritmos, misturas, tons, aflorando loucamente e dando vida aos festivais e se tornando a vasta trilha sonora de um tempo que não volta, mesmo porque nunca terminou. Para aqueles que repetem à esmo a palavra “diversidade”, sugiro que tomem um ônibus lissérgico rumo à estação ( ou seria à dimensão?) Woodstock e estudem, se é que o jovem de hoje
ainda tem cabeça para isso.
Mais incrível que ver a música do passado ecoando, é ver os ícones vivos, em pele e osso subindo no palco. Me lembra a volta dos mortos vivos quando vejo Rolling Stones anunciando um novo show, mas me mostra também o quanto esses transformadores, visionários, verdadeiros artistas vieram para deixar uma marca. Não só no comportamento, mas na história musical.
Depois de anos de drogas e experiências bizarras à granel, eis que os clássicos voltam ao palco, assombrando aqueles que os consideravam mitos do passado, levando à loucura os que sempre o amaram mas nunca os viram tão de perto e finalmente provando aos modistas preguiçosos que os anos 70 foram tão relevantes, que precisam de muito mais de 100 anos para terminar.

Sempre que falam que sou velho porque ouço Dream Weaver do Gary Wright ou Wendy do The Associationou ainda a lendária If You Could Read My Mind na voz do Ray Conniff, (desculpe por isso), só me resta responder que não existe música velha, existe música boa e música ruim. Do contrário o que seria da música clássica? Agora, me diga, o que é música boa? Aquela que a gente gosta de ouvir, é lógico.
Até hoje, não sei se por vício, comodismo ou falta de opção, no Natal a música Imagine, com mais de 40 anos, subitamente ressuscita em todas as vitrolas, cd players e i pods. E emociona.
E o que dizer dos sucessos de hoje? São os mesmos de antes de ontem, agora regravados e remasterizados. Olha a rede Globo. Até hoje cria para suas trilhas remakes de composições lendárias e quase sagradas, pois continuam vivas, na memória e na caixa de som. A própria publicidade relança à todo momento sucessos dos anos 70, dando um clima inconfundível às suas campanhas e aumentando o recall ( uma palavra que já ficou velha) . Nos próprios filmes na Netflix, a quantidade de clássicos é impressionante. A emoção que causam, por mais que se repita, não envelhece. E mesmo os puristas (ou seria os futuristas?),que recusam o antigo a todo momento, quando menos imaginam estão ouvindo What Is Love e achando que a música foi criada pela Kiesza. Do mesmo jeito, quem ouve O Mundo é um Moinho só pensa no Cazuza. Se Woman In Love é boa, se All in Love is Fair é brega, se Xanadu é fora de moda, o tempo vai dizer. Aliás já vem dizendo faz tempo. Essas músicas fazem parte de todas as décadas, de todas as vidas, de todas as gerações. Do contrário, o tempo não as respeitaria tanto.
